Vale tudo pela reeleição? A possível aproximação de Alessandro Vieira com Antony Garotinho levanta questionamentos
- Cleiton Bianucci

- 17 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A política brasileira tem um histórico conhecido de alianças improváveis, mas algumas aproximações ultrapassam o campo da estratégia eleitoral e entram no terreno da contradição moral e do oportunismo explícito. É exatamente esse o debate que começa a surgir diante dessa “aproximação” entre o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, figura marcada por um dos currículos judiciais mais extensos da política nacional.
Garotinho governou o Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, mas sua trajetória política ficou conhecida não apenas por cargos ocupados, e sim por uma longa lista de condenações, prisões e processos judiciais, especialmente relacionados a crimes eleitorais e improbidade administrativa.
Anthony Garotinho já foi preso em mais de uma ocasião, inclusive por decisões da Justiça Eleitoral, acusado de comandar esquemas de compra de votos por meio de programas sociais, como o chamado “Cheque Cidadão”. Em 2016, foi preso durante a Operação Chequinho, acusado de utilizar recursos públicos para fins eleitorais. Em decisões posteriores, chegou a ser condenado em primeira instância por crimes eleitorais, embora algumas dessas decisões tenham sido objeto de recursos — algo comum no sistema judiciário brasileiro.
Além disso, Garotinho também foi alvo de condenações por improbidade administrativa, teve direitos políticos suspensos em determinados momentos e acumulou derrotas judiciais que o afastaram de disputas eleitorais por anos. Seu nome se tornou símbolo de um modelo de política marcado pelo uso da máquina pública, pelo assistencialismo eleitoreiro e por reiterados embates com a Justiça.
Mesmo entre adversários ideológicos, Garotinho é visto como um personagem tóxico, cujo passado pesa — e muito — sobre qualquer projeto político que se proponha a falar em ética, renovação ou combate à corrupção.
É nesse contexto que surge o incômodo questionamento: vale tudo para garantir a reeleição ao Senado? Vale até mesmo se associar a figuras como Anthony Garotinho?
Alessandro Vieira construiu sua imagem pública a partir de um discurso de independência, combate à corrupção e oposição ao “velho sistema”. Foi eleito surfando na onda do bolsonarismo em 2018, mas posteriormente rompeu politicamente com Jair Bolsonaro, a quem hoje faz duras críticas.
A pergunta que fica é direta e incômoda: trair Bolsonaro já não foi o bastante? Agora, em nome da sobrevivência eleitoral, Alessandro estaria disposto a se aproximar de um dos nomes mais emblemáticos da degradação moral da política brasileira?
Não se trata de ideologia, direita ou esquerda. Trata-se de coerência. Como explicar ao eleitor sergipano uma eventual aproximação com alguém que carrega um histórico tão pesado de condenações e acusações judiciais? Como conciliar o discurso anticorrupção com a aproximação de um personagem repetidamente condenado pela Justiça?
O eleitor tem o direito de saber se Alessandro Vieira está disposto a pagar qualquer preço para permanecer no Senado. Porque, se a resposta for “sim”, a conta — como sempre — cairá no colo da sociedade.
A pergunta permanece no ar, aguardando resposta: vale tudo pela reeleição, senador Alessandro Vieira? Vale até se aliar a Anthony Garotinho?







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