Prefeita Emília minimiza corrupção na gestão e se exime de investigar
- Cleiton Bianucci

- há 2 dias
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Na última semana, a prefeita Emília Corrêa foi questionada sobre a régua dupla aplicada aos escândalos de sua gestão: de um lado, a manutenção do auxiliar Hugo Esoj no comando da Emsurb, mesmo após denúncias; do outro, a exoneração sumária do ex-diretor financeiro da Secretaria Municipal de Educação (Semed), flagrado com R$ 240 mil em dinheiro vivo de origem não identificada. Para justificar a distinção, a gestora alegou que não há “provas materiais” contra Esoj, enquanto o episódio da Semed seria “incontestável” — um caso em que o dinheiro público tomou, segundo suas palavras, “o caminho errado”.
Pela primeira vez, a chefe do Executivo municipal admitiu publicamente a existência de desvios nos cofres da Educação. Com a declaração, a crise deixa de ser retórica de oposição ou ruído de bastidor para se tornar um fato político confessado pela própria administração. O problema é que a prefeita minimizou um ato explícito de corrupção ao tratar o desvio de recursos públicos do contribuinte sob o eufemismo conveniente de um dinheiro que tomou o “caminho errado”.
Essa manobra retórica não é inocente: ao recorrer a uma linguagem amena para camuflar a gravidade do crime, Emília tenta reduzir um esquema de sangria das contas públicas a um mero desacerto de percurso. Mais do que isso, a gestora finge não ser a chefe do Executivo. Em vez de determinar a apuração imediata do caso, ela se omite e terceiriza sua responsabilidade para um Legislativo composto, em sua maioria, por parlamentares alinhados ao próprio governo.
Se a apreensão dos R$ 240 mil em espécie foi o “fato incontestável” que forçou a demissão do diretor responsável por gerenciar os gastos de toda a Educação, qual é a dimensão real do esquema? De qual contrato saiu esse montante? Quem autorizou a liberação e quem foram os beneficiários? O valor apreendido é o montante total do desvio ou apenas a ponta do iceberg em uma secretaria de orçamento milionário? O executivo municipal precisa responder a essas perguntas, mas prefere o silêncio.
A tentativa da prefeita de empurrar a responsabilidade fiscalizatória para uma CPI na Câmara Municipal expõe um jogo de cena incompatível com o discurso de quem se elegeu prometendo combater desmandos. Emília alega que o Parlamento é o ambiente adequado para a apresentação de documentos e vídeos. No entanto, o Legislativo opera em absoluto silêncio: dominado pela base governista, não convoca secretários, não requisita a cópia integral dos contratos sob suspeita e recusa-se a exercer seu papel constitucional de fiscalização.
Transferir a obrigação de apurar para órgãos externos ou para uma Câmara passiva não absolve a prefeita. A prerrogativa de determinar auditoria interna rigorosa, abrir contratos, publicar planilhas de pagamento e afastar preventivamente suspeitos é de quem comanda a cidade.
Emília Corrêa, uma defensora pública aposentada, venceu as eleições com a promessa de ruptura com o “sistemão”. Hoje, admite de forma simplória que o dinheiro da Educação tomou “o caminho errado”, mas esconde o tamanho do rombo, as rotas do desvio e os verdadeiros destinatários dessa sangria. A questão que se impõe é direta e não admite tergiversação: a prefeita pretende investigar a fundo a corrupção na prefeitura ou apenas selecionar peças sacrificáveis para blindar os Donos do Poder em Aracaju?









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