Contrato sem Licitação de R$ 540 Mil envolvendo assessor coloca sob suspeita discurso de Alessandro Vieira


A campanha de reeleição do senador Alessandro Vieira ao Senado esbarra em uma contradição documentada que ameaça ruir a vitrine da nova política. Conhecido nacionalmente pelo tom inquisitivo contra a corrupção e pela defesa inflexível da transparência, o parlamentar agora vê seu próprio gabinete no centro de um arranjo financeiro nebuloso. Trata-se de um contrato de R$ 540 mil firmado sem licitação por uma estatal sergipana em benefício direto de uma empresa administrada por João Paulo Virissimo, funcionário comissionado nomeado na cota pessoal do próprio senador.
A manobra financeira, revelada neste sábado pelo Metrópoles, apoia-se em uma contestável tese de “notória especialização" para contratar serviços terceirizados de interlocução com o setor público por R$ 15 mil mensais. A contratação foi celebrada pela agência Desenvolve-SE, presidida por Milton Andrade, que foi candidato a vice-governador na chapa de Alessandro Vieira. A estatal contratou a empresa privada por quase cinco vezes o salário pago pelo Senado ao servidor, criando um duplo vínculo que desrespeita a Lei 8.112/1990, a qual veda a gerência de sociedades privadas por parte de ocupantes de cargos públicos federais.
A gravidade do episódio atinge o cerne da coerência política do candidato à reeleição. Enquanto atua em Brasília como árbitro da moral alheia e defensor das travas da Lei das Estatais para deter a ocupação predatória de cargos públicos, Alessandro Vieira permitiu que em seu próprio gabinete operasse o administrador de uma empresa abastecida por verbas estaduais sem concorrência. A alegação recorrente de que o senador "não possui intermediários" sucumbe perante a realidade dos aditivos contratuais assinados por seu subordinado enquanto recebia remuneração pelo Senado.
Para o eleitor sergipano que avalia a recondução do parlamentar, a revelação do contrato de R$ 540 mil impõe uma reflexão incontornável. Fica exposta a fragilidade do discurso anticorrupção quando confrontado com a rotina de privilégios e favorecimentos cruzados entre ex-parceiros de chapa e assessores nomeados. A conveniência de manter no gabinete o beneficiário de um negócio dispensado de licitação revela que o rigor fiscalizatório exibido pelo senador nos microfones não encontra respaldo nas práticas adotadas dentro de sua própria estrutura política.
Ao tentar renovar o mandato de senador sem apresentar explicações convincentes sobre o favorecimento do seu assessor, Alessandro Vieira demonstra que o discurso ético que vende ao eleitorado não resiste ao primeiro teste de transparência dentro da própria casa.









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