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Reforma da Previdência | Alessandro Vieira reconhece que seu voto a favor das mudanças na aposentadoria “sacrificou” trabalhadores e aposentados, enquanto privilegiou carreiras policiais

Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
Cleiton Bianucci
há 11 minutos
2 min de leitura

A aprovação da Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019) impôs o mais severo aperto nas regras de aposentadoria da história recente do país. No Senado, a proposta contou com o apoio decisivo de Alessandro Vieira (hoje no MDB-SE, à época no Cidadania), que votou favoravelmente ao texto principal nos dois turnos de votação, alegando ser ela necessária, mas reconhecendo que sacrificaria os trabalhadores.


Para os milhões de segurados do INSS na iniciativa privada, a fatura foi direta e imediata. A reforma extinguiu a aposentadoria puramente por tempo de contribuição, fixou a idade mínima em 65 anos para homens e 62 para mulheres e achatou o valor dos benefícios: a média agora inclui 100% dos salários (sem descartar os menores) e parte de uma base inicial de apenas 60%, exigindo décadas adicionais de recolhimento para atingir o valor integral. Além disso, a pensão por morte foi rebaixada a uma cota familiar de 50%, acrescida de 10% por dependente.


O próprio parlamentar tinha plena consciência do impacto social da medida. Em pronunciamento no plenário do Senado, logo após a votação, Alessandro reconheceu que a etapa era “dura e sofrida” e que os trabalhadores sentiriam a redução direta em sua renda. Sabia perfeitamente o tamanho do sacrifício que estava chancelando para a população comum, mas mesmo assim votou favoravelmente à medida.


O rigor fiscal aplicado aos assalariados, porém, não teve o mesmo peso diante da própria base de origem do parlamentar. Delegado de polícia civil de carreira, Alessandro Vieira viu a reforma acomodar regras nitidamente atenuadas para as corporações de segurança pública. Categorias como as polícias da União contaram com idade mínima reduzida (53 anos para homens e 52 para mulheres nas regras de transição), além da manutenção de mecanismos de integralidade e paridade para quem ingressou antes da instituição do teto previdenciário público.


Embora o tratamento diferenciado tenha sido justificado sob a alegação de risco profissional e menor expectativa de vida, o desfecho concreto expôs dois pesos e duas medidas: de um lado, a intransigência com o operário, a comerciária e os trabalhadores precarizados do setor privado; de outro, a complacência corporativa com as carreiras armadas do Estado, incluindo ele mesmo entre os beneficiados.


Ao votar a favor do aperto geral, enquanto sua categoria preservava condições especiais, Alessandro Vieira ajudou a impor ao cidadão comum o custo que o seu próprio segmento corporativo se recusou a pagar. E isso a a história jamais esquecerá.

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