Mudança de Liderança ou Abandono Político? A Nova Postura de Ibraim Monteiro
- Cleiton Bianucci

- há 6 dias
- 2 min de leitura

A recente mudança de posicionamento político de Ibrain Monteiro tem provocado debates intensos entre aliados, ex-aliados e observadores da cena política local. Ao optar por uma nova liderança e firmar aproximação com antigos rivais históricos — a família Reis — Ibraim sinaliza um novo tempo. Um tempo que, embora possa ser interpretado como estratégico, levanta uma questão inevitável: a que custo essa mudança foi feita?
É importante deixar claro: não há crítica ao acordo de paz entre os Monteiros e os Reis. Em qualquer ambiente político, a pacificação entre grupos historicamente opostos pode representar maturidade, avanço institucional e até estabilidade. O problema não está na aliança, mas na forma como ela foi construída.
O que causa estranhamento — e até indignação — é o fato de que, ao se aproximar dos novos aliados, Ibraim parece ter abandonado aqueles que sempre estiveram ao seu lado, inclusive nos momentos mais difíceis, momentos esses reconhecidos publicamente por ele próprio em discursos passados. Pessoas que sustentaram sua trajetória política quando o cenário era adverso hoje se veem afastadas, silenciadas ou simplesmente esquecidas.
Na política, alianças mudam.
Mas a gratidão deveria permanecer.
A sensação transmitida é a de que os antigos companheiros se tornaram descartáveis, substituídos por conveniências momentâneas. E isso corrói algo essencial em qualquer liderança: a confiança. Afinal, se quem esteve junto na tempestade é deixado para trás quando o céu clareia, qual a garantia de lealdade no futuro?
É impossível não questionar, nesse contexto:
Será que o grande líder Valmir Monteiro aprovaria essa postura?
Valmir sempre foi associado à firmeza de caráter, ao valor da lealdade e à construção política baseada em relações duradouras. Mesmo que compreendesse a necessidade estratégica de novos acordos, dificilmente aceitaria que esses avanços fossem feitos à custa da ingratidão e do abandono dos velhos aliados. Um líder forte não apaga sua história para escrever um novo capítulo; ele constrói o futuro respeitando o passado.
Aqui, o pensamento de Nicolau Maquiavel ajuda a ilustrar o momento. Em O Príncipe, ele alerta que o governante precisa ter cuidado ao lidar com alianças, pois:
“Os homens esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio.”
Na política, esse “patrimônio” é a lealdade, o capital humano, a confiança construída ao longo do tempo. Quando um líder rompe com seus antigos aliados sem explicações claras ou sem gestos de reconhecimento, ele planta ressentimento — e ressentimento, cedo ou tarde, cobra seu preço.
Maquiavel também ensina que o governante deve evitar ser odiado. E poucas coisas geram mais ódio político do que a sensação de traição e ingratidão.
Ibraim Monteiro ainda pode estar buscando se consolidar nesse novo cenário, mas o recado que fica é preocupante: ao se alinhar aos novos amigos, ele parece ter virado as costas para quem sempre esteve presente. E isso não é apenas uma questão de estratégia política — é uma questão de caráter público.
No fim das contas, a história não julga apenas quem vence, mas como se vence. E os líderes que permanecem são aqueles que sabem avançar sem esquecer quem os ajudou a chegar até ali.







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