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Fábio não pode criticar o meio: imprensa usada para anunciar chapa é a mesma que revelou possível rompimento com Belivaldo

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 16 horas
  • 2 min de leitura
Imagem Ilustrativa
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O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, afirmou recentemente que tomou conhecimento de um possível rompimento político com o ex-governador Belivaldo Chagas por meio da imprensa. A declaração, no entanto, abriu espaço para críticas e expôs uma contradição que vem sendo explorada nos bastidores da política sergipana.


Isso porque foi exatamente através da imprensa e das redes sociais que o próprio Fábio anunciou sua chapa para a reeleição, já definida e articulada, sem, segundo aliados, realizar sequer um contato prévio com Belivaldo para comunicar sua decisão. A ausência de diálogo direto foi interpretada por interlocutores do ex-governador como falta de consideração política.


A situação ganha ainda mais peso quando se relembra o papel desempenhado por Belivaldo no passado recente. Há cerca de três anos, enquanto governador, ele liderou o processo de escolha do seu sucessor, bancando o nome de Fábio Mitidieri mesmo diante de resistências internas. À época, o então prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, chegou a externar publicamente que havia divergências quanto à escolha.


Diante do cenário atual, aliados de Belivaldo demonstraram incômodo com a forma como o ex-governador foi tratado. Um deles, sob condição de anonimato, afirmou:

“Não que Belivaldo iria interferir em alguma coisa, de maneira alguma. Mas pela consideração que Fábio diz da boca pra fora ter, ele não poderia ter deixado Belivaldo saber através de foto nas redes sociais.”


O episódio também evidencia uma espécie de “simetria” na comunicação política adotada por ambos os lados. Se Fábio utilizou a imprensa e as redes para tornar pública sua decisão, a resposta também veio pelo mesmo caminho. A informação sobre o possível rompimento foi reforçada por meio de declarações ligadas ao grupo de Belivaldo, incluindo manifestações da sua filha, Priscilla Felizola.


Nesse contexto, o ponto central é claro: Fábio não pode questionar o meio pelo qual tomou conhecimento da situação, uma vez que foi exatamente o mesmo instrumento que ele utilizou para comunicar uma decisão de grande impacto político ao seu próprio aliado.


Por outro lado, é importante destacar que, até o momento, nem Belivaldo Chagas nem Priscilla Felizola anunciaram oficialmente qualquer rompimento político. O que vem sendo tratado como rompimento não passa, até aqui, de uma interpretação — ou até mesmo um “desejo” de parte da imprensa que, tradicionalmente, se alimenta de cenários de crise e tensão política. Ou seja, até o presente momento, não há confirmação concreta de afastamento entre os grupos.


No fim das contas, esse jogo de comunicação aberta — ainda que marcado por ruídos e insatisfações — acaba tendo dois principais beneficiados: a imprensa, que cumpre seu papel de informar, e o povo sergipano, que acompanha, em tempo real, os bastidores e movimentos da política estadual.

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