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André David se faz de vítima, não explica suspeita de superfaturamento e foge da imprensa para evitar questionamentos

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 24 horas
  • 3 min de leitura

Para um delegado de polícia que construiu sua imagem pública como implacável e destemido, adotar o papel de vítima e alegar perseguição política diante de questionamentos sobre o uso do dinheiro público soa, no mínimo, irresponsável. Essa, contudo, tem sido a reação do ex-secretário de Segurança Pública de Aracaju, André David — pré-candidato ao Senado pelo Republicanos —, diante das cobranças sobre o contrato firmado com a Helper Tecnologia de Segurança para o fornecimento de totens de vigilância na capital.


A imprensa sergipana tem cobrado respostas objetivas do ex-secretário. Em sua coluna no Portal Infonet, nesta segunda-feira, 20, o jornalista Cláudio Nunes destacou que o delegado André David prefere falar em “ofensiva coordenada” a esclarecer os pontos centrais do caso. Perguntas seguem sem resposta, entre elas: por que houve contratação exclusiva? A suposta patente usada para justificar a exclusividade foi checada pelo município? Houve pesquisa real de mercado? Quais critérios técnicos validaram o edital?


Na mesma linha, o jornalista Tiago Hélcias, em artigo publicado sob o título “André David e os totens do silêncio: quando ser vítima vira estratégia!!”, também apontou a contradição entre o discurso de autoridade do delegado e o silêncio diante das suspeitas. Para Tiago, André David deveria simplesmente abrir os documentos do processo licitatório e comprovar que o procedimento foi correto. O jornalista resumiu as questões que seguem no ar: por que contratar apenas a Helper? A patente era válida ou já havia sido negada pelo INPI? Houve cotação com outras empresas? Onde estão os documentos capazes de provar que não houve superfaturamento?


O eco dessa cobrança também marcou a análise de Rita Oliveira, publicada no sábado, 18. A jornalista e analista política reiterou o dever moral e funcional de André David de prestar contas à sociedade, tanto por sua trajetória como delegado de polícia quanto por sua condição de ex-gestor público. Para ela, transformar acusações feitas por um especialista em licitações públicas em suposta perseguição eleitoral é um argumento frágil diante da gravidade das denúncias.


Toda essa controvérsia surgiu após entrevista levada ao ar pelo radialista George Magalhães, no programa Sergipe Verdade, da Rádio SIM FM, na semana passada. Na ocasião, o especialista em licitações Hugo Oliveira apontou indícios de superfaturamento de quase 50% no aluguel dos equipamentos, com prejuízo estimado em R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.


O ponto central da suspeita é a contratação exclusiva da Helper Tecnologia, sustentada pela alegação de exclusividade por patente. Segundo Hugo, porém, o pedido apresentado ao INPI teria sido rejeitado, o que colocaria em xeque a justificativa usada para restringir a concorrência. Além disso, foram citados exemplos de outros estados, como Pernambuco e Alagoas, onde empresas diferentes teriam disputado ou prestado serviços semelhantes, indicando que não haveria monopólio técnico sobre os equipamentos.


O caso não se resolve, portanto, com postagens em redes sociais, retórica de perseguição ou tentativa de deslocar o debate para o campo da vitimização. O contribuinte precisa saber se a exclusividade da empresa era legítima, se os preços estavam compatíveis com o mercado e se a Secretaria Municipal de Segurança cumpriu o dever básico de verificar a idoneidade da empresa antes de validar a contratação. André David apresentará os documentos ou continuará se esquivando?


Quem comandou a pasta e autorizou o procedimento administrativo deve responder com fatos, dados e informações auditáveis. Até o momento, prevalece o silêncio do ex-secretário da gestão de Emília Corrêa. Aliás, a própria prefeita tem obrigação de esclarecer se as denúncias são ou não procedentes, afinal foi ela quem nomeou André David para o comando da Segurança Pública Municipal e é, em última instância, a principal responsável pela condução administrativa do município. Não responder a indícios graves de fraude e suspeitas de uso indevido do dinheiro público é uma afronta direta ao cidadão que sustenta a máquina pública.


Blindagem do delegado André David

Nesta terça-feira, também no programa Sergipe Verdade, George Magalhães trouxe relatos do repórter Leandro Brito sobre a convenção do Republicanos, ocorrida na noite de segunda-feira, em Aracaju. Durante o evento, o repórter tentou questionar o ex-secretário sobre as denúncias envolvendo o contrato dos totens. André David, no entanto, teria utilizado uma estrutura de segurança — não se sabe se privada — para se blindar, dificultando a aproximação dos profissionais de imprensa.


O pré-candidato ignorou os questionamentos, evitou responder sobre o caso e foi um dos primeiros a deixar o local. Concedeu apenas uma fala genérica, de 30 a 40 segundos, a um repórter, sem abordar o tema central: o contrato firmado em sua gestão e as suspeitas de superfaturamento.


Em resumo, mesmo quando a oportunidade de se explicar apareceu, André David preferiu o silêncio. Da forma como se comporta, demonstra desprezo pela população de Aracaju, pelos órgãos de controle, pela imprensa e, por fim, pela própria biografia.


Sinal de que o assunto incomoda. E muito!

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