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Alessandro Vieira: o candidato era contra a reeleição ao Senado e agora não vive sem ela

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 12 minutos
  • 2 min de leitura

Em 2018, quando entrou na política com o discurso de renovação, combate à corrupção e aos “políticos profissionais”, o delegado Alessandro Vieira defendeu o fim da reeleição para cargos eletivos como principal bandeira. Antes mesmo de assumir o mandato, dizia que cargos majoritários não deveriam ter reeleições sucessivas.


Em entrevista em março daquele ano no A8 Sergipe (TV Atalaia), Alessandro foi ainda mais específico: incluiu expressamente os cargos de presidente, governador, senador e prefeito entre os que não deveriam admitir reeleição sob o argumento de renovação política. Na mesma entrevista, ele afirmou que a “reeleição é um câncer”, algo “sem sentido” pois levaria detentores de mandato a priorizar estratégias para permanência no poder.


Oito anos depois, o delegado Alessandro está novamente nas urnas buscando exatamente aquilo que dizia pretender eliminar: a própria reeleição. O MDB oficializou sua candidatura em julho de 2026 e, em 17 de agosto, a Agência Senado o incluiu na relação dos senadores que tentam renovar o mandato neste ano.


Se em 2018 a reeleição para senador era apresentada por Alessandro como parte de um sistema que dificultava a renovação e favorecia a perpetuação no poder, o que mudou de lá para cá? Se oito anos de mandato eram considerados por ele um tempo excessivo, por que agora buscar outros oito anos? Se a ideia era impedir “eleições infinitas”, qual argumento ele justifica para agora concorrer?


Mudar de opinião é legítimo, especialmente quando há explicações plausíveis. O problema surge quando a convicção utilizada para construir uma identidade eleitoral é abandonada face ao próprio interesse. No caso do senador-delegado, no entanto, a tese sustentada no início da carreira política, mesmo quando ele apela para os feitos do mandato, revela apenas a sede de poder que ele dizia combater.


Esta é mais uma de suas incoerências.

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