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A força política dos irmãos Edvan e Eduardo Amorim sobre o bilionário orçamento da Prefeitura de Aracaju na gestão de Emília Corrêa

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

A chegada de Emília Corrêa (PL) à Prefeitura de Aracaju, em 2025, foi vendida ao eleitorado como o triunfo da moralidade contra velhas práticas da política. Para além do discurso eleitoral, porém, há hoje uma estrutura de poder divergente desse ideário operando longe dos refletores.


A vitória nas urnas foi o ápice de um projeto político gestado ainda antes de 2022 pelos irmãos José Edivan e Eduardo Amorim. Mas para compreender essa dinâmica, é preciso desconstruir o mito de que os irmãos atuam de forma independente.


Edivan e Eduardo são uma engrenagem siamesa, um único corpo político dotado de duas cabeças com funções especializadas. De um lado, Dr. Eduardo — ex-senador e pré-candidato ao Senado — encarna a vitrine institucional e o discurso público. Do outro, o empresário Edivan atua nos bastidores como operador pragmático e articulador das alianças partidárias.


A chapa de 2022 com Valmir de Francisquinho candidato ao governo estadual serviu de laboratório para projetar Emília e, a partir dali, a dupla desenhou a engenharia financeira, operacional e partidária que garantiu a vitória obtida em 2024.


*Loteamento do orçamento bilionário*

O resultado eleitoral de 2024 traduziu-se no controle de quase 1/3 do orçamento da Prefeitura, cujo total é de cerca de R$ 4,7 bilhões. A entrega de pastas-chave aos Amorim garantiu-lhes a gestão dos recursos mais valiosos da capital.


A Educação (Semed), que movimenta mais de R$ 700 milhões de orçamento global e gerencia isoladamente mais de R$ 300 milhões do Fundeb, foi entregue a Edna Amorim, irmã de Edivan e Eduardo. Já a Saúde (SMS), que administra mais de R$ 900 milhões, tem a chefia de Débora Leite, nome de confiança indicado pelo ex-senador.


O braço dos Amorim estende-se ainda à Procuradoria-Geral do Município (PGM) com a nomeação de Hunaldo Mota — cuja esposa foi assessora de Eduardo no Senado —, à Secretaria da Fazenda (Sefaz) com Sidney Thiago dos Santos, à Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) sob Hugo Esoj (demitido) – irmão do secretário Sidney Thiago – e à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog) com Rodrigo Thyago Silva (também dispensado).


*Dinheiro vivo e contratos sob suspeita*

A centralização dos recursos rapidamente descambou para crises administrativas e suspeitas de graves irregularidades. O modelo de gestão compartilhada com os articuladores políticos passou a acumular um histórico de desconfiança, conforme auditorias de órgãos de controle e material exposto pela imprensa investigativa.


O sinal de alerta veio com a exoneração do então diretor administrativo-financeiro da Semed, César Costa Azevedo Dias, após a Polícia Civil apreender R$ 240 mil no seu veículo. Na Secretaria de Planejamento, denúncias da Folha de São Paulo apontaram a existência de um grupo de mensagens (“Timaço DAF Seplog”) supostamente utilizado para exigir contribuições de servidores comissionados, com o objetivo de financiar uma suposta futura campanha política do então secretário Rodrigo Thyago, ação abortada após a repercussão negativa da investigação jornalística.


Já a gestão de Hugo Esoj tornou-se alvo de auditorias do Tribunal de Contas (TCE/SE) em razão de dispensas de licitação, inconsistências em contratos de locação de caminhões-pipa e a assinatura por inexigibilidade do Contrato nº 42/2025 (no valor de R$ 300 mil) com a empresa Ziguia Engenharia, para a prestação de “serviços técnicos” ligados ao novo edital da limpeza urbana.


Na Secretaria de Saúde, o contrato de gestão de R$ 406,9 milhões do Hospital Fernando Franco com a Organização Social FABAMED virou foco de apuração após o repasse de R$ 5,3 milhões em fevereiro, primeiro mês de vigência do contrato, sem aplicar a retenção de R$ 1,9 milhão relativa ao pagamento de servidores cedidos à unidade, gerando cobranças da imprensa ante à suspeita de dupla despesa.


A onda de exonerações promovida pela prefeita — atingindo nomes como Hugo Esoj e Rodrigo Thyago — não resultou, portanto, de uma iniciativa espontânea em busca de moralização, mas de aparente tentativa, desesperada, de contenção de danos. O objetivo, ao que tudo indica, foi estancar a sangria na imagem da gestão e evitar um colapso político que inviabilize o projeto eleitoral de Eduardo ao Senado.


*Ruína do discurso “anti-Sistemão”*

Diante do cerco promovido pelos órgãos de controle, oposição na Câmara de Vereadores e imprensa, a postura de Emília revelou-se frágil. Ao ser confrontada sobre os escândalos, a prefeita eximiu-se da responsabilidade, declarando que “cada secretário é quem responde por sua pasta”. Ao terceirizar a culpa, a gestora nega a sua própria razão de existir. Ao lavar as mãos, Emília finge ignorar que foi a ela — e não aos seus subordinados — que o eleitorado confiou o mandato.


A promessa de erradicar o “Sistemão” – pode-se concluir, após essa série de escândalos – ruiu em poucos meses de governo: a estrutura que a prefeita prometeu combater não foi extinta, aparentemente apenas mudou de mãos.


A sociedade aracajuana exige de quem governa transparência e responsabilidade. Já passou da hora de Emília Corrêa governar de verdade. Ela deve dar explicações claras sobre o destino das verbas públicas e parar de fugir das obrigações do cargo que o povo lhe confiou. Se não agir agora, sua omissão poderá destruir o patrimônio dos aracajuanos – se é que o estrago já não foi feito; neste caso, só o tempo dirá.

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