Rodrigo Valadares: bolsonarista de ocasião ou político sem lado fixo?
- Cleiton Bianucci

- há 1 dia
- 2 min de leitura

No discurso, Rodrigo Valadares tenta se vender como um dos mais fiéis soldados do bolsonarismo em Sergipe. Nas redes sociais, a postura é de alinhamento extremo, defesa incondicional do ex-presidente Jair Bolsonaro e ataques constantes aos adversários da direita. Mas, quando se olha para trás, a memória política conta uma história bem diferente — e bem mais conveniente.
Para entender quem é o “novo” Rodrigo Valadares, é preciso voltar a 2018.
Enquanto Bolsonaro enfrentava a campanha presidencial marcada pelo atentado a faca e surfava na onda antipetista que o levaria ao Palácio do Planalto, Rodrigo estava longe desse campo. Naquele momento, circulava com adesivo do PT, usava chapéu do MST e fazia questão de demonstrar proximidade com o senador Rogério Carvalho, um dos principais nomes da esquerda sergipana.
Já em 2022, com Bolsonaro disputando a reeleição pelo PL, Rodrigo preferiu trilhar outro caminho: foi candidato pelo União Brasil. Nos bastidores, aliados relatam que a saída do partido não foi das mais amistosas — teria acontecido “pela porta do fundo”.
Agora, ironicamente, é justamente o PL que virou seu principal alvo de controle.
Nos últimos meses, Rodrigo avançou sobre o PL em Sergipe, legenda que por anos esteve sob comando do grupo Amorim. A movimentação, considerada agressiva por lideranças internas, provocou um efeito imediato: esvaziamento político.
Pelo menos três prefeitos deixaram a sigla, além de outras lideranças e até um deputado federal. O que era para ser fortalecimento virou debandada.
Para aliados históricos do partido, a condução tem sido mais imposição do que articulação.
Nos bastidores, a avaliação é de que a prioridade de Rodrigo não é exatamente o fortalecimento do grupo ou um projeto coletivo para Sergipe, mas a própria sobrevivência política.
“Ele precisa de mandato para continuar em Brasília fazendo o que mais gosta, que não é lutar por Sergipe”, disparou um ex-vereador de Itabaiana.
A fama de pouco confiável também o acompanha.
“Todos que já deram a mão a Rodrigo, ou ele já traiu ou vai trair”, resumiu a mesma fonte.
O comportamento mais recente chama ainda mais atenção. Mesmo tendo a mãe ocupando a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Aracaju sua esposa, Moana Valadares, partiu para o confronto direto contra a prefeita Emília Corrêa.
Moana tem elevado o tom, pressionando publicamente a gestora e colocando o agrupamento de oposição contra a parede. A ameaça é clara: o PL pode lançar candidatura própria ao Governo do Estado, rachando a frente oposicionista.
Nos bastidores, a movimentação é vista menos como estratégia política e mais como chantagem eleitoral.
A trajetória recente levanta uma pergunta inevitável: Rodrigo Valadares é, de fato, um bolsonarista convicto ou apenas um político que veste a camisa mais conveniente a cada eleição?
Do PT ao bolsonarismo, do União Brasil ao controle do PL, os caminhos parecem menos ideológicos e mais pragmáticos.
Em Sergipe, onde a memória política é curta, a aposta pode até funcionar. Mas, para quem acompanha os bastidores, a impressão é clara: Rodrigo não mudou de lado por convicção — mudou por sobrevivência.
E, quando a regra é a conveniência, alianças duram pouco.







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