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Recado de Mitidieri a André Davi: segurança pública não aceita carona eleitoral

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura

A gestão do governador Fábio Mitidieri consolidou uma virada histórica na segurança pública de Sergipe, respaldada por dados oficiais e por indicadores reconhecidos nacionalmente. Para compreender o tamanho dessa transformação, é preciso ter memória: entre 2015 e 2017, Sergipe amargou o posto de um dos estados mais violentos do país, chegando, em 2016, à trágica marca de quase 58 mortes violentas por 100 mil habitantes.


O cenário atual é outro. Entre 2022 e 2025, Sergipe registrou quedas consecutivas nos Crimes Violentos Letais Intencionais, os chamados CVLIs, e passou a ocupar posição de destaque no Nordeste. Segundo dados do sistema Sinesp, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado se consolidou como o mais seguro da região. Essa conquista, contudo, passou a ser alvo de uma tentativa de apropriação política por parte do delegado André Davi, que tenta transformar a segurança pública em bandeira particular de sua pré-candidatura ao Senado, alinhada ao discurso bolsonarista.


Em entrevista de rádio nesta sexta-feira, 19, Fábio Mitidieri questionou o oportunismo eleitoral do opositor. “Ele quer pegar carona na segurança pública de um estado que, por três anos seguidos, foi o mais seguro do Nordeste (...) Ele foi secretário municipal de Aracaju por um ano, mandando na Guarda Municipal, e quer dizer que a segurança pública de Sergipe foi feita por ele? Lembre que quando Sergipe era o estado mais violento do Brasil, você já era delegado”, disse o governador.


Ao afirmar que segurança pública “não se faz com tiro, porrada e bomba”, Fábio Mitidieri reposiciona o debate no campo da responsabilidade. O modelo do espetáculo — que costuma vender soluções fáceis para problemas complexos — pode até render aplauso no palanque e nas redes sociais, mas não sustenta uma política pública séria. Segurança não se faz apenas com discurso duro, nem com bravata de campanha. Segurança se faz com inteligência, investimento, tecnologia, investigação qualificada e integração entre as forças policiais.


A segurança pública não pertence a um delegado, a um partido ou a uma candidatura. Segurança pública é construção coletiva. Envolve Estado, municípios, União, polícias, guardas municipais, comunidade, assistência social, educação, urbanismo e presença real do poder público na comunidade. Reduzir tudo a uma narrativa pessoal é fraudar a complexidade do problema e desrespeitar o trabalho de milhares de homens e mulheres que fazem a segurança acontecer todos os dias.


Fábio também foi direto ao apontar o que considera uma indignação seletiva de André Davi. O delegado cobra do Governo do Estado, mas silencia diante das falhas da gestão municipal de Aracaju, reduto onde tem influência direta. O governador exibiu um símbolo visível dessa paralisia: a arrastada obra da ponte da Coroa do Meio, na região do Shopping Riomar. “(Ele) tem que reconhecer quem fez e cobrar de quem não faz. As obras que estão atrasadas em Aracaju, eu queria que ele tivesse o mesmo olhar, que fosse lá na obra da ponte, que não acaba nunca”, afirmou.


Quem pretende disputar uma vaga ao Senado precisa decidir se quer ser estadista ou animador de auditório. A fala de Fábio Mitidieri não foi apenas uma resposta política ao delegado André Davi. Foi também um choque de realidade para o eleitorado. Em Sergipe, o tempo do espetáculo policialesco, do “faço e arrebento”, da bravata e da apropriação individual de conquistas coletivas precisa ficar para trás. A segurança pública não tem dono. Ela pertence à verdade dos fatos, à solidez dos números e à responsabilidade de quem realmente trabalha para proteger a população.


O recado foi dado: segurança pública se faz com seriedade, não com palanque nem postagem de rede social. Faz-se com trabalho, não com carona. Faz-se com resultado, não com encenação. Que esse recado chegue a todos os sergipanos.

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