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Prefeita de Aracaju vai a São Paulo para cuidar da saúde; e o aracajuano, quando terá esse mesmo direito?

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 15 horas
  • 2 min de leitura


A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, deverá embarcar neste domingo (30) para São Paulo, onde será submetida, na segunda-feira (31), a um procedimento de ablação cardíaca. A decisão de antecipar o procedimento ocorreu após uma reavaliação médica, depois de a prefeita apresentar um episódio de mal-estar.


Segundo as informações divulgadas, Emília é acompanhada por um cardiologista e já vinha realizando tratamento e acompanhamento periódico em razão de uma arritmia cardíaca assintomática.

Primeiramente, é preciso desejar à prefeita uma pronta recuperação. Que o procedimento seja realizado com sucesso, que sua saúde seja restabelecida e que ela retorne a Aracaju bem e recuperada.


Mas o episódio também abre espaço para uma pergunta que não pode ser ignorada: e a saúde do povo de Aracaju?


Emília Corrêa tem o privilégio de poder buscar atendimento especializado em São Paulo, com equipe médica e estrutura adequadas para realizar um procedimento de alta complexidade. E ninguém pode ser contra uma pessoa buscar o melhor tratamento possível para preservar a própria vida.


O problema é que a grande maioria da população de Aracaju não possui esse mesmo privilégio.


Para muitos aracajuanos, conseguir uma consulta especializada, realizar um exame, obter um diagnóstico ou simplesmente ter acesso rápido a um atendimento médico ainda representa uma verdadeira peregrinação.


É justamente aí que está a contradição que precisa ser debatida.


A prefeita tem o direito de procurar em São Paulo a saúde que considera melhor para si. Mas o cidadão aracajuano também merece encontrar em Aracaju uma saúde pública digna, eficiente e capaz de atender às suas necessidades.


Não se trata de desejar que a prefeita deixe de procurar tratamento fora de Sergipe. Muito pelo contrário. Que ela vá, trate-se e volte bem.


A questão é outra: que Emília Corrêa, como prefeita, faça com que o cidadão que não pode viajar para São Paulo tenha acesso, em Aracaju, a uma saúde que funcione. Que o paciente não precise esperar meses por uma consulta.


Que exames não sejam uma corrida de obstáculos.

Que procedimentos não sejam adiados indefinidamente.


Que o cidadão tenha atendimento especializado quando precisar. Que a população mais pobre também tenha direito ao melhor tratamento possível.


Emília está indo a São Paulo em busca da saúde que precisa.


Agora, cabe à prefeita trabalhar para que o povo de Aracaju encontre na própria cidade a saúde que também precisa e merece.


Porque o privilégio de escolher onde e com quem se tratar não pode ser exclusividade de quem ocupa o poder.


A saúde que a prefeita procura para si é a mesma saúde que o povo de Aracaju espera receber do poder público.

Que Emília se recupere.



E que, ao retornar, também se lembre de milhares de aracajuanos que continuam esperando por atendimento.

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