Mitidieri terá que escolher: lealdade a quem esteve ao seu lado ou aliança com antigo adversário
- Cleiton Bianucci

- há 4 dias
- 2 min de leitura

O governador Fábio Mitidieri se aproxima de uma das decisões políticas mais delicadas de sua trajetória: manter a lealdade a quem esteve ao seu lado desde o início do projeto ou abrir espaço para alianças com antigo adversário.
Desde 2021, quando sua pré-candidatura ainda enfrentava desconfianças e resistência em diversos setores, um nome esteve presente de forma constante na defesa pública do seu projeto político: o ex-deputado federal André Moura. Enquanto muitos ainda calculavam riscos, Moura já levantava a bandeira de Mitidieri no interior e na capital, articulando apoios e consolidando bases.
Do outro lado, o hoje senador Alessandro Vieira fazia oposição dura. Em diversos momentos, não poupou críticas pesadas ao então grupo governista, chegando a usar termos ofensivos contra Mitidieri, chamando-o de “fi do cabrunco mentiroso” em declarações públicas que marcaram o tom do embate político.
O contraste é claro: enquanto um atacava, o outro defendia.
Agora, o cenário se inverte.
Com as últimas declarações de Alessandro — André Moura deixa evidente que não pretende dividir o mesmo palanque. A declaração recente do ex-deputado é direta e carrega peso político e pessoal:
“Eu não faço política no mesmo agrupamento de Alessandro Vieira em respeito à minha família.”
A frase não é apenas retórica. Ela delimita um campo. Impõe uma escolha.
Paradoxalmente, a fala de André pode abrir uma janela estratégica para Mitidieri reorganizar sua base. Ao redefinir alianças, o governador pode ampliar o diálogo com outros campos políticos, inclusive com o PT, criando a possibilidade de “agasalhar” o senador Rogério Carvalho dentro do projeto governista e construir uma composição mais estável internamente.
Uma coalizão mais orgânica, sem disputas históricas ou rusgas pessoais, poderia garantir ao governador uma campanha mais tranquila dentro do próprio agrupamento — evitando conflitos internos que desgastam mais do que a própria oposição.
Fazer novos aliados nunca foi problema na política. Ampliar pontes é parte do jogo democrático. O problema começa quando isso significa substituir quem esteve junto nos momentos mais difíceis.
Na memória do eleitor e, principalmente, no bastidor político, a lealdade ainda tem valor. Trocar antigos companheiros por conveniência eleitoral pode custar caro — não apenas em votos, mas em credibilidade.
Política também é construção de confiança — E confiança não se recompõe com facilidade.
Mais cedo ou mais tarde, Fábio Mitidieri terá que escolher qual caminho seguir: manter ao seu lado quem sustentou seu projeto desde o início ou apostar em uma reconfiguração que inclui antigos críticos.
Curiosamente, essa decisão já parece tomada dentro de casa. Agora, resta saber se o governador acompanhará a escolha que sua própria família já fez há tempos — ou se arriscará reescrever sua base apostando em novos parceiros.

Porque, no fim, a pergunta é simples:
vale mais a pena conquistar novos amigos ou preservar quem nunca deixou de estar ao seu lado?
O tempo — e as urnas — darão a resposta.







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