top of page

Jackson Barreto precisa respeitar a história e o debate público

Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
Cleiton Bianucci
há 8 horas
3 min de leitura

Em 2017, quando era governador pelo PMDB, Jackson procurou André Moura, então líder do governo no Congresso, para tratar de obras estruturantes. Em 2024, em Santa Rosa de Lima, disse que os dois já não tinham mais nada a brigar. Divergências políticas são legítimas; acusações graves exigem responsabilidade.



A política permite mudanças de posição. Jackson Barreto sabe disso. Em 2017, quando governava Sergipe pelo PMDB — partido de Michel Temer, então presidente da República —, pediu audiência a André Moura, que havia assumido a liderança do governo no Congresso Nacional. O objetivo era buscar apoio para projetos importantes para o estado.


As matérias publicadas pelo Jornal do Dia, pelo Universo Político e pelo Blog do Max registram que Jackson procurou André para tratar do Canal Xingó, da ampliação do Aeroporto Santa Maria e da duplicação da BR-101. Em abril daquele ano, André recebeu o governador, que apresentou uma proposta para o terminal do aeroporto. Na reunião, também foram discutidos novos encaminhamentos para as rodovias e a articulação de recursos para o Canal Xingó.


Os registros daquele período mostram resultados concretos de articulação, embora não autorizem atribuir a uma única pessoa a execução integral das obras. Em fevereiro de 2017, Michel Temer e o ministro Maurício Quintella participaram do ato de retomada de trechos da BR-101 e das obras da pista do aeroporto. Em junho, durante a apresentação do projeto do Aeroporto Santa Maria, Jackson agradeceu a André e à bancada federal por uma emenda de R$ 40 milhões destinada à obra. A notícia da A8, ligada à TV Atalaia, também registrou a participação de André e da bancada sergipana na viabilização do projeto.


É importante fazer a distinção: anunciar recursos, aprovar uma emenda ou lançar uma licitação não é o mesmo que concluir uma obra. Em 2018, o próprio Jackson contestou o resultado prático de parte das tratativas e disse que, na avaliação dele, “sobrou foto e faltou dinheiro”. Esse registro também precisa ser considerado. Mas ele não apaga outro fato documentado: Jackson pediu apoio a André, foi recebido por ele e, em 2017, agradeceu publicamente pela articulação e pela emenda destinada ao aeroporto.


A relação entre os dois também não pode ser descrita como uma inimizade permanente. Em janeiro de 2024, durante um evento em Santa Rosa de Lima, Jackson disse a André: “A gente já brigou o que tinha que brigar no passado. A gente não tem mais nada para brigar” e completou: “estamos juntos nesse projeto”. O episódio foi registrado pelo Fan F1 e acompanhado por vídeo divulgado nas redes sociais.


Por isso, a declaração recente atribuída a Jackson — de que André seria “o homem das milícias do Rio de Janeiro” — ultrapassa a crítica política. É uma acusação grave. As reportagens que repercutiram a fala não apresentam prova de ligação de André com organizações criminosas. Divergir do apoio de André a um candidato ou questionar suas escolhas políticas é legítimo; associá-lo a milícias sem apresentar evidências é outra coisa.


Alianças também mudam. Em 2022, Jackson deixou o agrupamento governista e declarou apoio a Rogério Carvalho. No segundo turno, André atuou na coordenação da campanha de Fábio Mitidieri. Nenhum dos dois precisava pedir licença para mudar de posição: essa é uma escolha política protegida pela democracia. O que não cabe é transformar divergência em ofensa pessoal ou tentar desqualificar o direito de alguém de pensar e se posicionar de forma diferente.


Jackson tem uma longa trajetória pública e já ocupou cargos importantes. Isso deveria ser motivo para cobrar dele responsabilidade no debate, não para transformar qualquer discordância em espetáculo. Com tanta frase de efeito, só faltou a melancia na barriga e o abacaxi na cabeça, numa referência a Carmen Miranda. Mas Sergipe precisa de argumentos, memória e respeito — não de caricaturas nem de acusações sem comprovação.


Respeito precisa ser recíproco. Quem quer ser tratado com respeito também deve respeitar a história, as escolhas e a liberdade política dos outros. André Moura pode ser criticado por suas decisões, como qualquer liderança pública. Mas não se apaga o que foi registrado em matérias, entrevistas e imagens: em 2017, Jackson procurou André para pedir apoio a projetos para Sergipe; em 2024, os dois disseram publicamente que as brigas haviam ficado no passado. A política pode mudar. Os fatos publicados permanecem.


Fontes logo abaixo








Comentários


bottom of page