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Editorial | O isolamento e o desespero de Alessandro Vieira na reta final de campanha

Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
Cleiton Bianucci
30 de set.
2 min de leitura

Não há sintoma mais claro de decadência política do que a substituição de propostas pelo ataque desenfreado nos estertores de uma campanha eleitoral. Ao sentir o peso das pesquisas de intenção de voto — como o recente levantamento da Quaest/TV Sergipe, que o empurra para longe das duas vagas ao Senado —, o senador Alessandro Vieira optou pelo caminho mais previsível e rasteiro dos que farejam a derrota: ativou o modo desespero.


Em vez de prestar contas de um mandato de oito anos marcado por contradições flagrantes ou ainda tentar salvar o que restou de sua apática campanha, o delegado licenciado decidiu alvejar seletivamente quem está no topo da disputa, André Moura e Rogério Carvalho. Trata-se de uma manobra cínica e tardia. A população sergipana não esquece que foi Alessandro quem chancelou, no plenário do Senado, a perversa Reforma da Previdência, sacrificando a renda de milhões de trabalhadores e aposentados enquanto poupava e blindava a si mesmo de sacrifícios equivalentes. Tampouco apaga da memória o fiasco de sua atuação na CPI do Crime Organizado, quando produziu um relatório rejeitado por seus pares por “esquecer” de criminalizar facções criminosas para mirar em palanques institucionais.


A incoerência atinge contornos quase cômicos no interior do estado. O mesmo Alessandro que sobe o tom nos microfones em Brasília e nos estúdios da capital é o que articula, nas bases municipais, dobradinhas pedindo o voto casado ora com André Moura, ora com Rogério Carvalho. Ao mesmo tempo em que os ataca, implora para ser o segundo voto do eleitorado de ambos. É a personificação do parlamentar que finge combater o sistema enquanto se escora nele para tentar sobreviver.


Desconectado da realidade e sem conseguir empolgar os sergipanos, Alessandro Vieira converteu seus últimos materiais de propaganda eleitoral em uma metralhadora giratória inócua. Desprovido de legado para exibir e sem projetos que toquem a vida real da população, queima pontes por onde passa. Prova cabal disso é o fogo amigo contra a base aliada: ao esbravejar que ausências em debates configuram “desrespeito ao eleitor”, o senador atinge em cheio o governador Fábio Mitidieri — seu próprio aliado, que se ausentou do debate da TV Sergipe ontem —, expondo uma política que beira o amadorismo.


A poucos dias da abertura das urnas, a virulência de Alessandro Vieira não soa como bravura cívica, mas como o final melancólico de quem percebeu, tarde demais, que a superexposição na mídia nacional e os discursos moralistas não foram suficientes para mascarar a ausência de resultados. O eleitor sergipano já amadureceu sua decisão — e tudo indica que ela passa pela rejeição sumária ao delegado e a um mandato que se esgotou em si mesmo.

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