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As penitências de Rogério Carvalho para caber no palanque de Fábio Mitidieri

  • Foto do escritor:  Cleiton Bianucci
    Cleiton Bianucci
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Rogério Carvalho deve ter feito muita penitência de joelho para “esquecer” o que já disse sobre Fábio Mitidieri. O senador petista, hoje em busca do apoio do governador para tentar renovar seu mandato, precisa conviver com um passado recente de acusações e discursos inflamados contra esse mesmo líder político do qual agora tenta ser sócio preferencial.


A política permite mudanças de rota – às vezes, até exige. Fábio Mitidieri demonstra maturidade e pragmatismo ao entender que o PT, mesmo distante da força que teve no auge da liderança de Marcelo Déda, continua sendo um ator relevante em Sergipe. Não necessariamente pelo comando local do partido, mas pelo peso do presidente Lula da Silva, ainda dono de forte influência eleitoral no estado.


O problema maior, portanto, não está em Fábio. Está em Rogério!


Foi Rogério Carvalho quem passou anos tratando o agrupamento governista como adversário quase mortal. Em 2024, da tribuna do Senado , o parlamentar pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público que investigasse a atuação do Ministério Público Federal e do Ministério Público estadual em Sergipe. Na ocasião, afirmou que a delegacia responsável por investigar corrupção e atos contra o patrimônio público agia de forma “seletiva”, perseguindo adversários do governador.


Agora, o discurso mudou. O adversário virou aliado. O governador, antes questionado, passou a ser parceiro estratégico. É verdade que, para Sergipe, a aproximação com o Governo Federal pode ser vista por parte do eleitorado como positiva. O estado é pequeno, depende de investimentos federais e precisa de obras estruturantes para avançar. O próprio Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves, em Aracaju, é apresentado pelo governo como a maior obra urbana da capital, com investimento inicial superior a R$ 318 milhões e entrega do viaduto prevista para 27 de maio.


O eleitor lulista fora da bolha petista pode, por esse viés, até aceitar uma explicação pragmática: se a parceria ajuda Sergipe, que venham os recursos, as obras e os palanques compartilhados – inclusive com André Moura. Mas a pergunta incômoda é outra: a militância raiz do PT engole essa aliança com a mesma facilidade? A base petista aceitará pedir voto para o governador? Mais ainda: aceitará defender Rogério Carvalho ao vê-lo abraçado a quem ele próprio combateu com tanta ênfase?


Essa é a contradição central. Rogério Carvalho tenta transformar conveniência em grandeza política. Mas o eleitorado mais atento sabe distinguir aliança estratégica de coerência pública. Uma coisa é reconhecer que Sergipe precisa dialogar com Brasília. Outra é fingir que nada foi dito, que ninguém foi seriamente acusado.


Fábio Mitidieri pode sair desse movimento como líder pragmático. Lula da Silva pode ser visto como fiador de uma aliança que visa a governabilidade. Mas Rogério Carvalho entra na eleição carregando o peso de suas próprias palavras. E, às vezes, em política, o problema não é mudar de lado. É ter que explicar por que o lado que antes era acusado de tantos males virou, de repente, o caminho da salvação.

 
 
 

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