A INGRATIDÃO QUEBRA A AFEIÇÃO!
- Cleiton Bianucci

- 6 de mai.
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Atualizado: 6 de mai.

Na política, a linha que separa a lealdade histórica do pragmatismo de ocasião é fina e, muitas vezes, cruel. A entrevista do pré-candidato ao Senado, André Moura, ao radialista Aloísio Andrade (O Prefeitinho), tocou em uma ferida aberta na articulação estadual: o abandono político protagonizado por Ibrain Monteiro.
A fala de André não se baseia apenas em acordos de bastidor, mas também no capital emocional. Havia uma expectativa legítima e pública de que a relação de amizade, parceria e construção política que ele sempre manteve com o saudoso Valmir Monteiro fosse herdada e honrada pelo filho. No entanto, o tabuleiro de Lagarto mostrou que a conveniência atual fala mais alto do que a história passada.
Ibrain Monteiro fez sua escolha e não deixou margem para dúvidas. Em discursos na tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) e em emissoras de rádio no estado, o deputado declarou sua nova subordinação política: seguirá o comando do atual prefeito de Lagarto, Sérgio Reis. Com o novo crachá, vem também o novo pacote de apoios para o Senado: Alessandro Vieira e Rogério Carvalho.

Para o eleitor histórico de Valmir, o movimento soa como traição. Nos bastidores, porém, a leitura é de sobrevivência política e alinhamento de poder. Ao se abrigar sob o guarda-chuva de Sérgio Reis, Ibrain troca a lealdade à memória do pai e aos antigos aliados pela segurança institucional de quem hoje tem a caneta na mão no município.
Contudo, a manobra tem seu preço. Ao verbalizar que “seguirá o comando do seu novo líder”, o deputado corre o risco de perder o protagonismo e a identidade política construída pela família Monteiro, reduzindo-se a uma peça de manobra no xadrez de terceiros.
Para André Moura, o episódio serve como um filtro antecipado. A ingratidão quebra a afeição, mas também limpa o terreno. No xadrez de 2026, saber exatamente quem não está no seu palanque é tão estratégico quanto saber quem está.
Em Lagarto, as cartas foram viradas. Resta saber como o eleitorado, que tem memória e respeita o legado de Valmir, vai julgar o realinhamento de seu herdeiro.









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