Enquanto o Senador Alessandro defendia o sacrifício de aposentados, garantia a sua aposentadoria integral
- Cleiton Bianucci

- há 1 dia
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O discurso do senador Alessandro Vieira (MDB) para defender a urgência de reformar a Previdência foi repleto de expressões como “responsabilidade fiscal” e “proteção aos vulneráveis”. Ele dizia que a economia de R$ 1 trilhão era essencial para o futuro do país, e que sua defesa da reforma visava “combater privilégios”. No entanto, uma análise simples revela que o rigor do senador só se aplicou ao bolso do trabalhador comum.
Enquanto ele pregava austeridade e “escolhas (difíceis e) necessárias” para os brasileiros, a fim de “salvar a Previdência”, o senador e delegado afirmava que abriu mão da aposentadoria especial no Congresso Nacional. No entanto, o que ele evitou mencionar é que, como delegado de carreira em Sergipe, permanece sob um Regime Previdenciário Especial, privilégio que Alessandro não buscou suspender na reforma da lei, e que lhe permite aposentar-se com salário integral e paridade com os colegas da ativa — os mesmos benefícios que ele ajudou a retirar de milhões de brasileiros.
O senador gaba-se ainda de ter apresentado 10 emendas para “mitigar impactos” da reforma. Contudo, o resultado final aprovado com o seu voto favorável é o que vigora atualmente. Alessandro Vieira hoje reconhece que a reforma teria provocado inúmeros “aspectos negativos isolados”, minimizando os estragos. De qualquer sorte, à época ele ignorou os alertas de entidades como a CUT-SE, que previram corretamente o aumento do empobrecimento da população como consequência da redução drástica no valor dos benefícios.
Por outro lado, enquanto o trabalhador de baixa renda foi obrigado a adiar o descanso por anos devido à idade mínima para poder se aposentar – 62 anos para as mulheres e 65, para homens –, foram mantidos pela reforma os privilégios das carreiras de Estado, como a de delegado de polícia, com regras que o senador Alessandro não ousou questionar com o mesmo rigor quando concordou com a redução de direitos dos segurados do INSS.
A defesa de que a reforma foi uma “escolha necessária” vira hipocrisia quando o autor da medida não compartilha (ele próprio) das mesmas perdas que impôs aos demais trabalhadores. O senador Alessandro votou para que o sergipano trabalhasse mais e ganhasse menos quando por ocasião de sua aposentadoria, enquanto ele mesmo permanece com privilégios inacessíveis ao cidadão comum.
Seis anos depois, a conta da trágica Reforma da Previdência chegou para o povo de Sergipe: menos comida na mesa, menos recursos para cuidar da saúde. No entanto, para o senador e outros privilegiados, o futuro continua garantido com salários integrais pagos pelo mesmo Estado que ele afirmava desejar equilibrar as finanças. A conta ficou somente para os mais pobres.



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