Delegado André David quer investigar corrupção e fraude — no Rio de Janeiro!
- Cleiton Bianucci

- há 1 hora
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O delegado André David parece muito preocupado com a criminalidade no Rio de Janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira, 23, o ex-secretário de Segurança Pública de Aracaju adota tom grave para discursar contra o crime organizado, esquemas com emendas parlamentares, empresas de fachada, laranjas, contratos milionários e o uso indevido do dinheiro público.
O discurso soa firme. Mas a pergunta é inevitável: e Aracaju? As denúncias que atingem em cheio a sua própria gestão na Secretaria Municipal de Segurança seguem sem qualquer explicação. O contrato dos totens de vigilância, firmado com a Helper Tecnologia, acumula suspeitas de fraude em licitação, direcionamento de edital e superfaturamento de quase 50%, com prejuízo estimado em R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.
Isso não é ficção; é uma realidade sem resposta até agora. Segundo o especialista em licitações Hugo Oliveira, a contratação teria sido fundamentada em uma suposta exclusividade da empresa com base em patente. O problema é que o argumento ruiu: o pedido no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) foi indeferido pelo órgão regulador, e outras empresas já prestavam serviços idênticos em diversos estados.
E a controvérsia dos totens não é um fato isolado. A passagem do ex-secretário pela pasta também é assombrada pela suspeita de fraude na contratação do carro blindado utilizado pela prefeita Emília Corrêa — um processo que já é alvo de investigação pelo Ministério Público. A exemplo do contrato dos totens, a locação do veículo de luxo acumula fortes indícios de irregularidades e, até o momento, segue sem nenhuma explicação ou transparência por parte de André David.
Diante disso, as perguntas fundamentais continuam sem resposta: por que contratar exclusivamente a Helper? A patente foi checada e auditada pela gestão? Houve pesquisa real de mercado? Quem, afinal, validou os editais? O preço praticado estava compatível com o mercado nacional?
André David, que prega “tolerância zero” contra a criminalidade do Rio de Janeiro — no que está certo, aliás —, precisa esclarecer se essa regra se aplica também aos atos e contratos firmados sob a sua responsabilidade.
Até o momento, no entanto, quando confrontado, o ex-secretário preferiu se esquivar alegando perseguição política. Na convenção do Republicanos realizada na segunda-feira, 20, conforme relatos levados ao ar pelo radialista George Magalhães no programa “Sergipe Verdade”, até seguranças foram acionados pelo delegado para barrar o acesso da imprensa e evitar o constrangimento de perguntas sobre os casos.
A contradição é gritante: para cobrar investigações no Rio de Janeiro, André David grava vídeos, adota postura altiva e exige rigor. Para falar dos totens e do carro blindado de Aracaju, silencia, foge dos repórteres e se faz de vítima. O cidadão aracajuano quer respostas — afinal, é quem paga essa conta. A cobrança segue de pé: quando, finalmente, o implacável delegado virá a público para explicar de forma clara os contratos suspeitos de sua gestão?









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